13º, 14º, 15° e 16º Dia – San Pedro de Atacama

23/10/2014 - Laguna Cejar, Ojos de Salar e Laguna Tebenquiche

 
Acordamos cedo, por dois motivos, ansiedade de conhecer a cidade e porque o café da manhã era servido somente até ás 09h! O hotel que escolhemos em San Pedro do Atacama - SPA foi Hostel Elim, adoramos! Ele tem um ótimo custo x benefício, com diárias em torno de R$ 200,00, não tem luxo, tudo muito simples, porém bem confortável, cama boa, quarto grande, perto da Rua Caracoles (a principal), e o melhor de tudo, o banho era ótimo e não tivemos nenhum problema para aquecer a água em nenhum momento do dia!!!
Não sentimos efeito da altitude até então, SPA fica a 2.500 metros de altitude e algumas pessoas já sentem mal-estar. Já estávamos tomando remédio para acelerar a aclimatação. Até chegar a SPA nossa ideia era fazer os passeios com as agências de turismo, pois tínhamos receio da altitude, dos locais poucos sinalizados e dos acessos que pudessem ser difíceis não tendo um veículo 4x4, porém na noite em que chegamos ao hotel encontramos um casal de brasileiros que nos tranquilizou e disse que poderíamos ir por conta, e nos animamos, claro, seguindo os roteiros das agências, que eu já havia pesquisado na internet, começando pelos lugares de menor altitude e ir aumentando com o passar dos dias.
Nesta primeira manhã aproveitamos para conhecer a cidade, muito linda com suas ruas de terra batida e seus restaurantes e lojas em estilo rústico, tudo muito simples e acolhedor! Adoramos ver o imponente Vulcão Licancabur ao fundo! Almoçamos no Tierra Todo Naturale, comida muito boa e bem elaborada, bom cardápio e pratos do dia com várias opções por 5.000 pesos chilenos (em torno de 20 reais). 

 
Á tarde, descansamos um pouco e nos preparamos para os passeios do dia, Laguna Cejar, Ojos del Salar e Laguna Tebenquiche, para o qual partimos em torno das 15h, pouco antes das vans das agências! (nosso objetivo era ficarmos por perto deles, no caso de nos perdermos, ou algum problema, e funcionou, algumas vezes ficamos aliviados ao ver as vans, hehehe, (eles nem tanto em nos ver todos os dias, já que éramos um dos poucos carros que fazia o mesmo roteiro!) De manhã compramos o mapa turístico da SPA, que ajudou muito. Para chegar até a Laguna Cejar não tivemos problemas, Ruta 23, rumo sul, tinha placa da entrada. Estrada toda de terra compactada em ótimo estado. Ao chegarmos tem guarita, com banheiros e chuveiros, paga-se 2.500 pesos a entrada. A Laguna Cejar na verdade é composta por um complexo de 03 lagoas, lindas, em apenas uma delas pode-se tomar banho, este se diga quase recusável, a água é extremamente gelada, só para os fortes! Mas como se vai ao Deserto do Atacama apenas uma vez na vida, via de regra, tomamos banho! A parte legal é que a água da laguna é muito salgada e, é possível boiar sem esforço algum. O pior estava por vir, saímos brancos de sal e a água dos chuveiros é mais gelada que a lagoa..... até tirar todo o sal... hahahahah 
Seguindo caminho pelo Deserto encontramos os Ojos del Salar, que também pode-se tomar banho, mas eu não me arrisquei, aquela água escura dá um medo!!! Tá visto! 



 Andamos mais um pouco pelo salar e chegamos à Laguna Tebenquiche para o pôr do sol! Muito linda e com formações vegetais, das quais os flamingos se alimentam. Novamente tivemos de pagar entrada 2.500 pesos (no Chile tudo é pago), e novamente tivemos estrutura: banheiros e trilhas ao redor da laguna. Enquanto os turistas de agência tomavam pisco sur e petiscavam queijo de cabra ao cair do sol, nós comíamos ruffles levadas do Brasil mesmo!!!! Foi um pôr do sol incrível! O deserto tem cores impressionantes! Na hora de voltar nos perdemos, pois no escuro é mais difícil identificar as estradas, todas iguais, porém como todos os caminhos levam a SPA e estávamos seguindo a bússola fomos tranquilos, até encontrar um van e segui-la, é claro!!!!
À noite janta rápida, sem carne vermelha, para evitar qualquer problema com altitude, e cama.


 

 Dia 24/10/2014 - Vale da Lua

 

Pela manhã novamente saímos para conhecer a cidade e comprar muita folha de coca, afinal no dia seguinte subiríamos até 4.200 de altitude, precisávamos estar preparados. Fomos também à Sermantur (Secretária de Turismo), pois eles prestam assistência e informações turísticas. Pedimos informação de como chegar à Pedra do Coyote, que iriamos à tarde como ao Vale da Lua, dadas as explicações ficamos meio confusos, mas..... Neste dia fomos conhecer o restaurante Las Delícias de Carmen, realmente os pratos são enormes e as comidas muito boas, porém custam o preço de duas refeições, gostei bastante do lugar, mas o custo x benefício não é dos melhores. 


 À tarde, por volta das 15h, lá fomos nós em busca da Pedra do Coyote, e tentamos ir pelo caminho explicado e nada, seguimos uma van, e nada, (ela estava indo a Calama) hehehe pedimos informação para outros turistas e nada....enfim restou o Vale da Lua, muito fácil de chegar, uns 2 km de SPA, lugar lindo, parece que estávamos em outro planeta.






À noite, jantarzinho no Adobe, o restaurante mais famoso de SPA, muito badalado e cheio, as comidas um pouco mais caras que a média da cidade, porém o ambiente é excelente e a comida mais ainda. Comi um risoto de quinua com cogumelos, delicioso, meu marido ficou com creme de espinafre, segundo ele muito bom. Recomendamos! Nada de carne vermelha ou bebida alcoólica! 
Creme de Espinafre - Adobe
Risoto de Quinua - Adobe




















   

 Dia 25/102014 - Lagunas Chaxá, Miscanti e Miñiques

 

Acordamos cedo, neste dia o passeio ia começar pela manhã, estávamos ansiosos e receosos com a altitude e a distância, chegaríamos até 4.300 de altitude e andaríamos em torno 300 km pelo deserto. Saímos por volta das 09h com destino à Laguna Chaxá, Socaire, Lagunas Miscanti e Miñiques. No caminho muito chá de coca (preparado no próprio quarto com aquecedor elétrico dentro da garrafa térmica), o chá é uma delícia! Chegamos à Laguna Chaxá sem problemas, muito bem sinalizada, deveria ter muitos flamingos lá, mas não tinha, apenas alguns, o que ficou um pouco sem graça, mas em se tratando de estar no centro do Salar de Atacama tudo é novidade!!! 



Seguindo caminho, em Socaire, uns 3.800m de altitude encontramos uma criança passando mal, devido à altitude, ficamos assustados, mas nós já estávamos bem aclimatados! Chegamos sem problemas nas Lagunas Miscanti e Miñiques e seus 4.200m altitude, nem nós nem nosso carro demostrou falta de ar... hehehe. As lagunas são lindas demais, gramíneas típicas da altitude e muitas vicunhas enfeitando a paisagem!!! 





Passeio espetacular! Por volta das 13h iniciamos nosso retorno, muito devagar, sempre perto de 60km/h para não ter problemas com a altitude. (Eu sei que falo demais em altitude, mas realmente todos os cuidados são necessários para evitar problemas mais sérios, tipo forte dores de cabeça, que levam dois dias para passar! Sem falar, é claro nos sintomas piores, tipo perda dos sentidos, vômitos e edemas cerebrais e pulmonares, que são muito comuns!) Chegando a SPA comemos uma pizza na Pizzeria El Charrua, muito boa, local bem pequeno e simples, mas com ótima pizza. Depois descansamos, e à noite, sopinha (tem muito por lá), pois no dia seguinte mais altitude! 

Dia 26/10/2014 - Gêiseres El Tatio, Vale da Muerte e Pedra do Coyote


Nosso último dia em SPA, era dia de conhecer os Gêiseres El Tatio, e o negócio lá é cedo, mas cedo mesmo, precisávamos estar lá antes das 06h30min da manhã. Os gêiseres ficam cerca de 100 km de SPA, em aclive acentuado, essa viagem é a mais perigosa para o mal da altitude, pois se eleva muito rápido, em uma hora você chega aos 4.300 de altitude. Nós saímos perto de 05h do hotel, antes das vans. Já na saída de SPA fomos atacados pela Polícia Carabineira, que solicitou apenas carteira de motorista, nada mais. Apresentamos nossa carteira internacional e foi tranquilo. Seguimos tomando muito chá de coca e comendo algumas bolachas salgadas como desjejum, poucas, pois na altitude a digestão é lenta. Achei a estrada muito boa em comparação com os comentários lidos na internet, toda ela de terra compactada em ótimo estado, com muitas curvas, mas bem sinalizadas, sim, no escuro dá um pouco de medo, mas numa velocidade de 40km/h foi tranquilo. No caminho várias vans nos ultrapassavam, pois seguiam muito rápido, tenho pena da dor de cabeça destas pessoas! A cada km o frio apertava mais, chegamos a pegar – 5° graus, mas frio mesmo ainda estava por vir.... heheeh 
Chegando lá, a entrada custou 5.000 pesos chilenos, com boa infraestrutura pudemos usar os vestiários para colocar mais roupas, e olha foi pouco! Precisa de uma bota quentinha (não pode ser só couro, precisa ser térmica, ou forrada, ou impermeável), calça térmica, jeans ou couro por cima, blusa térmica, fleece e um casaco bem quentinho, destes próprios para o frio, luva, gorro e cachecol, mas já aviso, você não conseguirá tirar as luvas para bater fotos!!! Coloquei meu celular no comando de voz, pois o frio é intenso mesmo! O chão todo congelado gela mesmo! Algumas vezes coloquei meus dedos na água quente dos gêiseres para descongelar. Mas os gêiseres impressionam mesmo, a natureza consegue fazer coisas incríveis, eles borbulhavam e jorravam muito alto! 
 


 A fumaça deixava o cenário incrível! Mas não conseguimos ficar muito tempo apreciando, o frio era intenso e acabamos esperando o sol nascer de dentro do carro, depois saímos novamente para aproveitar mais um pouco. Tomamos mais um chá de coca com bolachas, enquanto as excursões tomavam o café oferecido, que parecia bem apetitoso!!! Tem uma piscina quente (Pozon Rustico), de água do gêiseres, e, claro que entramos, não podia perder nenhum momento... hehehe. Roubada, é claro! A água só estava quente em alguns pontos, onde as pessoas se acumulavam, e às vezes a água brotava da terra tão quente que me queimava, não era algo agradável, ou frio ou quente demais! Saímos em pouco tempo, pensa o frio de sair molhado em 0º grau e ter que se trocar num vestiário simples, com piso geladíssimo!!!! Experiências enriquecem a viagem! Só assim! Hehehe 


 
Na volta paramos no povoado de Machuca, onde todas as vans param! Estava cheio de gente, o povoado é bem pequeno, mas tem uma igreja bem simpática e um churrasquinho de Ilhama delicioso!!! Lembro que era bem caro, mas não quanto foi, é muito bom, a carne da Ilhama é muito macia. Depois ainda provamos um pastel de queijo de cabra, muito bom também! E, enfim voltamos para SPA por volta das 11h. Fomos almoçar novamente nas Delícias del Carmen, apesar de achar meio caro, estávamos loucos por um Lomo a lo pobre, comida típica do Chile, e dizem que o de lá é o melhor! Realmente estava muito bom, e depois de vários dias sem comer carne vermelha foi demais. O “lomo a lo pobre” consiste em bife com ovo, batata frita e cebola frita, algumas vezes acompanha arroz. 
Sendo nosso último dia em SPA e eu não estava contente por não ter encontrado a Pedra do Coyote, insisti para procurarmos mais uma vez, e lá vamos nós mais uma vez para os arredores de SPA, pedimos informação para um popular, que acabou nos levando no Vale da Muerte (mas que só descobrimos o que era depois) lá fizemos uma caminhada de uns 3 km e não encontramos nada.... lamentável!!! Quando já estávamos querendo ir embora encontramos uma excursão e uma brasileira começou a conversar sobre nossa viagem de carro e tal.... aí que pedimos para onde eles iriam e ela disse que iam ver o pôr do sol em algum lugar....Pois logo nos ligamos, esse é o lugar que queremos!!! Realmente, a poucos passos de onde estávamos e de onde já havíamos procurado no dia anterior era a Pedra do Coyote, sem nenhuma sinalização, é claro!!! Uffa, encontramos a bendita pedra, que aliás não é uma pedra, é um penhasco que tem vista para o Vale da Lua, e creio que a “pedra do coyote” realmente dita não esteja mais lá, pois parece que desliza muitas pedras deste penhasco! Mas eu fiquei muito feliz de ter ido lá, voltaria frustrada caso não encontrasse, tivemos um baita por do sol, mas não tem nada de extasiante!!!


 

 

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